terça-feira, 29 de setembro de 2009

Lula entre a TPS de Dilma e a rolha do champgne

Getúlio Vargas teve seu momento de ditador no Estado Novo. Bateu, mandou prender, exportou a mulher de Carlos Prestes para os braços de Hitler, grávida de sete meses. A alemã Olga Benares tevea filha Ana Leocádia Prestes mas acabou sendo morta pelo homens de Hitler. Frio como a ponta de uma baioneta, o comunista Prestes, mais tarde, diria na TV Cultura que o envio da mulher era uma troca política para que Getúlio ficasse bem com o Reich e para que ele, Prestes, ficasse bem com Getúlio. Razão de Estado, disse Prestes. Como a História é amoral, sigo sua luz científica.
Com tropeços humanitários graves, Getúlio é nosso maior estadista ou o estadista que nos restou, por seu nacionalismo e pelo legado deixado na estrutura produtiva do País como BNDES, a CSN de Volta Redonda, a Petrobras e suas principais refinarias. Getúlio inaugurou o peleguismo, cooptou os trabalhadores... mas deixou também uma cultura de exploração de riquezas, contra os interesses famintos de americanos e o resto do mundo. A Petrobras começou na terra, foi para o fundo do mar, agora desce às profundezas do pré-sal. Lula assinará na história a entrada nesse projeto de exploração e desenvolvimento. Dilma pilota a operação. Sabe tocar a obra. De olho no sal, ela vê as urnas. Nós, também.
Getúlio se matou. Lula quer viver muito, pelo menos até o próximo mandato -previsto para 2.014 pelos mais otimistas, entre os quais, eu me incluo.


Dilma também quer viver e muito. Mas qual é o segredo para superar a tensão, a quimio e a radioterapia em véspera de campanha? A tensão pré eleitoral, a boa e velha TPE seria mais forte que outras TPs? Vargas certamente sacou a arma em uma tensão pre-suicídio. Despediu-se com uma bala no peito. Dilma terá outras tensões: a melhor, seguramente, é a TPS. Tensão do Pré-Sal. Dilma e Lula vivem a mesma adrenalina.
Estão prontos para o tiro de sal. Depois, virá o tiro de rolha. Rolha de champagne.
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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Zelaya, um mico pela janela.

A única coisa que Zelaya tem em comum com o Brasil é sua semelhança com o apresentador Ratinho. O resto é jogo de cena sob o manto de uma certa unidade latino-americana contra os aloprados da direita, que não sabem matar a bola no peito e chutam de canela. Odeiam as urnas. E sofrem muito quando os votos apontam a vitória de um adversário que usa chapeu de cowboy americano e veste uma camisa vermelha como a de Chavez. Zelaya seria um roteiro para um filme de países pequenos, pobres, com muitos doentes, analfabetos, nativos puros, que sonham com cidadania e, por que não, até com carro novo.

Não conheço Honduras, mas deve ter um índice de desenvolvimento humano igual ao do Maranhão. Sem escola, sem estradas, sem liberdade. Cheio de militar valente, truculento e um povo dócil, humilde, sonhador. Aí, aparece Zelaya. Por isso, derrubam Zelaya. Aí aparece o Brasil, querendo garantir a volta de Zelaya ao poder.
O jogo duro começa. Zelaya joga para a televisão, quer parecer um craque, um Fenômeno, um Messi... mas não passa de um cowboy sem montaria. Na falta de um país para presidir, ele usa a Embaixada do Brasil como o seu próprio território. Várzea da pior qualidade, o embaixador nem está lá.

Mas que diabos Zelaya vai fazer de agora em diante? Como ele pretende fazer para sair do prédio?

Em geopolítica, o avanço do Brasil sobre Honduras é compreensível. Mas e agora? Como não reconhece o governo golpista aloprado hondurenho, o embaixador brasileiro voltou a Brasília. A missão brasileira é meia-boca, não tem força para nada.
Tento imaginar Nelson Mandela tentando entrar na África do Sul e se refugiando em território alheio com uma centena de seguidores. Não! Mandela, como os grandes líderes, jamais perdeu a dignidade.
Mandela pegou 25 anos de cadeia por ser contra o apartheid. Foi pego como homem e saiu da cadeia como um grande homem. Virou presidente de uma terra banhada de sangue. É unanimidade internacional até para os brancos africanos.

A história está cheia de líderes que passaram muitos anos na cadeia e travaram uma guerra nos bastidores. Venceram e se fortaleceram. Zelaya precisa da cadeia para ser um líder com mais respeito.
Não vai dar para pular essa página. Cadeia gera negociação internacional para liberdade e exílio. Em uma semana, Zelaya sairá do noticiário. Seu marketing pessoal ganhará sobrevida se for preso.
Se permanecer na Embaixada, passará a ser visto como um mico na janela.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Dirceu no Maranhão, com Roseana: O preço da conta.

Elogios a Dirceu. Ele ainda é o velho comandante de tanque, treinado por tropas rebeldes. Nada afasta o piloto da estrada. Ele segue firme, cassado,  mas não cansado. Jamais abandonará o plano de viagem, o projeto de governo. Costumava dizer que lutara muito para ser governo. Verdade cristalina. Os projetos definem o cardápio, a agenda e a companhia de viagem. Dirceu vai ser julgado pelo STF, pela agenda montada em sua sala, conhecida também como Mensalão. Todos se assustaram. Nossa, o que ele fez? A História recente já mostra que ele fez o que Azeredo e FHC também fizeram. Em Brasília, o jogo é vício comum. DF é uma Las Vegas de interesses e putaria.  Garantir a governalidade a qualquer custo. Vale tudo, menos dançar de rosto colado. Vale nomear neto, sobrinho, pagar mordomo com dinheiro do Senado. Vale tudo, menos raspar o bigode e falar a verdade. Ser humano em Brasília é mentir.
Dirceu trabalha por Dilma, é um ser político em qualquer terreno, na planície ou na montanha, com o Papa ou com Sarney, com Deus e o diabo, em qualquer templo, em qualquer tempo. Mesmo sem bigode, Dirceu já é imortal. Saia da frente, o tanque vem vindo.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Zelaya volta a Honduras. No Paraguai, Lugo sob ameaça.

A volta do presidente eleito Zelaya a Honduras e o refúgio concedido na Embaixada Brasileira pode abrir uma nova crise para os hondurenhos. Os golpistas querem prender Zelaya. O Brasil protege o homem. E agora? Zelaya está em seu país mas não pode sair às ruas. A novela continua.

No Paraguai a novela pode começar nos próximos meses, mais provável que janeiro. O general Lino Oviedo, aos poucos, vai sendo lançado como alternativa a uma eventual queda do presidente eleito Fernando Lugo, no poder há alguns meses. A notícia que se publica em todo Paraguai é de que haverá  "un juicio político para Fernando Lugo".  A constituição prevê um "período de teste" para os presidentes eleitos. Dependendo do andar da admdinistração, o eleito pode deixar a cadeira antes do segundo ano de administração. Em agosto de 2010, Lugo completará dois anos na presidência, mas muita gente no País quer vê-lo pelas costas.
 Parece certo um Juício Político para Fernando Lugo.  A Constituição prevê esse julgamento caso o presidente não mostre serviço.  Motivos contra Lugo, dizem, não faltam. Há um número ainda inderteminado de filhos gerados em adolescentes, no tempo em que Lugo ainda era o bispo querido de San Pedro, um estado conhecido por sua pobreza e pela maconha " livremente plantada", com a ajuda de traficantes brasileiros e comercializada até com selo de qualidade. A força anti-drogas americana, DEA, conhece bem a região. Um agente me contou a história sem heroísmo.
Além da filharada (Lugo teria contratado advogados para ajudá-lo a reconhecer os filhos de quem se apresentasse para reclamar pensão), o presidente vive o impasse de presidir sem ter um partido.
É apresentado como homem de  esquerda, mas fez uma aliança forçada com os liberais da direita para montar a chapa. No último fim de semana, Lino Oviedo e o vice presidente Federico Franco participaram de uma festa, em Asunción, para celebração do sétimo aniversário da Unace - partido sonhado por Oviedo, quando ele ainda estava preso por suspeita de golpe de Estado e suspeita de assassinato do vice-presidente, Luis Argaña.
Oviedo discursou na festa e lembrou os dias do cárcere. Deixou nas entrelinhas que está pronto para a Presidência. Parece ter o apoio do vice de Lugo. A crise já começou.

Eros Grau, que doutrina o senhor segue?

Eros Grau foi o relator do processo no TSE que cassou o diploma do governador do Maranhão, Jackson Lago. Dúvidas aqui, suspeitas ali e Jackson foi cassado. Chororô aqui, chororô ali e Roseana Sarney, filha do Zé Sarney, toma posse, beneficiada como segunda colocada no pleito de 2006.
Festa aqui, festa ali e Grau viaja de férias. Volta e pede para sair do TSE. Sai e continua no STF. Agora, vem a dúvida: ele diz em liminar que o TSE n tem condição de julgar processos que não tenham sido originados nos TREs. Hum. Que coincidência, porque Roseana tem mais de um processo contra sua campanha de 2006, rolando no TSE.  Afinal, Jackson poderia ou não ter sido cassado pelo TSE?
Segundo Eros Grau, membro do TSE, sim. Segundo Eros Graus, membro do STF, não.
Cabe uma pergunta ao ministro: que doutrina o senhor segue?

sábado, 19 de setembro de 2009

O primeiro blog...haverá o segundo?

Depois de passar o dia na FGV, na estréia do Pós em Cinema e Documentário, decidi criar meu blog. Pronto para a missão, vou soltar o bicho no ar como se fosse um esqueleto. Depois, mexo no conteúdo e na aparência. Bateu fome!