segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Zelaya, um mico pela janela.

A única coisa que Zelaya tem em comum com o Brasil é sua semelhança com o apresentador Ratinho. O resto é jogo de cena sob o manto de uma certa unidade latino-americana contra os aloprados da direita, que não sabem matar a bola no peito e chutam de canela. Odeiam as urnas. E sofrem muito quando os votos apontam a vitória de um adversário que usa chapeu de cowboy americano e veste uma camisa vermelha como a de Chavez. Zelaya seria um roteiro para um filme de países pequenos, pobres, com muitos doentes, analfabetos, nativos puros, que sonham com cidadania e, por que não, até com carro novo.

Não conheço Honduras, mas deve ter um índice de desenvolvimento humano igual ao do Maranhão. Sem escola, sem estradas, sem liberdade. Cheio de militar valente, truculento e um povo dócil, humilde, sonhador. Aí, aparece Zelaya. Por isso, derrubam Zelaya. Aí aparece o Brasil, querendo garantir a volta de Zelaya ao poder.
O jogo duro começa. Zelaya joga para a televisão, quer parecer um craque, um Fenômeno, um Messi... mas não passa de um cowboy sem montaria. Na falta de um país para presidir, ele usa a Embaixada do Brasil como o seu próprio território. Várzea da pior qualidade, o embaixador nem está lá.

Mas que diabos Zelaya vai fazer de agora em diante? Como ele pretende fazer para sair do prédio?

Em geopolítica, o avanço do Brasil sobre Honduras é compreensível. Mas e agora? Como não reconhece o governo golpista aloprado hondurenho, o embaixador brasileiro voltou a Brasília. A missão brasileira é meia-boca, não tem força para nada.
Tento imaginar Nelson Mandela tentando entrar na África do Sul e se refugiando em território alheio com uma centena de seguidores. Não! Mandela, como os grandes líderes, jamais perdeu a dignidade.
Mandela pegou 25 anos de cadeia por ser contra o apartheid. Foi pego como homem e saiu da cadeia como um grande homem. Virou presidente de uma terra banhada de sangue. É unanimidade internacional até para os brancos africanos.

A história está cheia de líderes que passaram muitos anos na cadeia e travaram uma guerra nos bastidores. Venceram e se fortaleceram. Zelaya precisa da cadeia para ser um líder com mais respeito.
Não vai dar para pular essa página. Cadeia gera negociação internacional para liberdade e exílio. Em uma semana, Zelaya sairá do noticiário. Seu marketing pessoal ganhará sobrevida se for preso.
Se permanecer na Embaixada, passará a ser visto como um mico na janela.

Nenhum comentário:

Postar um comentário