Não conheço Honduras, mas deve ter um índice de desenvolvimento humano igual ao do Maranhão. Sem escola, sem estradas, sem liberdade. Cheio de militar valente, truculento e um povo dócil, humilde, sonhador. Aí, aparece Zelaya. Por isso, derrubam Zelaya. Aí aparece o Brasil, querendo garantir a volta de Zelaya ao poder.
O jogo duro começa. Zelaya joga para a televisão, quer parecer um craque, um Fenômeno, um Messi... mas não passa de um cowboy sem montaria. Na falta de um país para presidir, ele usa a Embaixada do Brasil como o seu próprio território. Várzea da pior qualidade, o embaixador nem está lá.
Mas que diabos Zelaya vai fazer de agora em diante? Como ele pretende fazer para sair do prédio?
Em geopolítica, o avanço do Brasil sobre Honduras é compreensível. Mas e agora? Como não reconhece o governo golpista aloprado hondurenho, o embaixador brasileiro voltou a Brasília. A missão brasileira é meia-boca, não tem força para nada.
Tento imaginar Nelson Mandela tentando entrar na África do Sul e se refugiando em território alheio com uma centena de seguidores. Não! Mandela, como os grandes líderes, jamais perdeu a dignidade.
Mandela pegou 25 anos de cadeia por ser contra o apartheid. Foi pego como homem e saiu da cadeia como um grande homem. Virou presidente de uma terra banhada de sangue. É unanimidade internacional até para os brancos africanos.
A história está cheia de líderes que passaram muitos anos na cadeia e travaram uma guerra nos bastidores. Venceram e se fortaleceram. Zelaya precisa da cadeia para ser um líder com mais respeito.
Não vai dar para pular essa página. Cadeia gera negociação internacional para liberdade e exílio. Em uma semana, Zelaya sairá do noticiário. Seu marketing pessoal ganhará sobrevida se for preso.
Se permanecer na Embaixada, passará a ser visto como um mico na janela.

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